Controle de empréstimos diários: quanto você tem na rua
Emprestar é a parte fácil. Difícil é responder, às seis da tarde, quanto do que está na rua é o seu capital, quanto já voltou, quanto você ganhou de verdade e que parte está parada há dias. Isso é controlar a carteira, e não aparece no total da caderneta.
EXTRATO DO CLIENTE
Cliente A
Os quatro números que mandam em uma carteira de cobrança diária
Na cobrança diária, até uma carteira pequena acumula centenas de movimentos por mês: cada cliente deixa um registro por visita. Mas para saber como vai o negócio não são precisos centenas de números: são precisos quatro. Se você os sabe de cor, tem controle. Se não, está movimentando dinheiro no escuro.
Capital na rua
O erro comum: Somar o total a receber. Esse número inclui juros que você ainda não ganhou.
Capital recuperado
O erro comum: Contar toda a arrecadação do dia como capital recuperado. Uma parte é juros.
Juros ganhos
O erro comum: Dar por ganho o juro das parcelas que o cliente ainda não pagou.
Inadimplência por idade
O erro comum: Olhar só o total em atraso, sem separar quem deve duas parcelas de quem deve vinte.
Parta uma parcela em duas: capital e juros
Um empréstimo de R$ 1.440,00 com 20% sobre o capital, repartido em 24 parcelas diárias. Os juros são R$ 288,00 e o cliente devolve R$ 1.728,00, então cada parcela é de R$ 72,00. E aí está o ponto: esses R$ 72,00 não são uma coisa só. São R$ 60,00 de capital seu que volta (R$ 1.440,00 ÷ 24) e R$ 12,00 de juros (R$ 288,00 ÷ 24).
Com 10 parcelas recebidas entraram R$ 720,00, que na verdade são R$ 600,00 de capital recuperado e R$ 120,00 de lucro. Ficam R$ 840,00 do seu próprio dinheiro na rua com esse cliente e R$ 168,00 de juros ainda por ganhar.
Essa separação é o que muda as decisões. A caderneta diz «ele me pagou R$ 720,00»; a carteira diz «você recuperou R$ 600,00 do seu capital e ganhou R$ 120,00». E se o cliente cair na parcela 11, o que está em risco não são os R$ 720,00 que já entraram: são os R$ 840,00 que não voltaram.
A conta muda se os juros forem recalculados sobre o saldo em vez de sobre o capital inicial. Está explicado passo a passo no guia de como calcular os juros diários de um empréstimo.
O extrato de carteira de quatro clientes
Agora a mesma conta, mas com a carteira inteira. Quatro clientes, todos com a mesma regra: 20% de juros e 24 parcelas. Você pode refazer cada linha na calculadora.
| Cliente | Emprestado | Parcela | Pagas | Recebido | Capital recuperado | Na rua | Atraso |
|---|---|---|---|---|---|---|---|
| Cliente A | 1.440,00 | 72,00 | 10 de 24 | 720,00 | 600,00 | 840,00 | Em dia |
| Cliente B | 480,00 | 24,00 | 18 de 24 | 432,00 | 360,00 | 120,00 | Em dia |
| Cliente C | 1.920,00 | 96,00 | 6 de 24 | 576,00 | 480,00 | 1.440,00 | 9 parcelas |
| Cliente D | 960,00 | 48,00 | 22 de 24 | 1.056,00 | 880,00 | 80,00 | 2 parcelas |
| Total | 4.800,00 | 240,00 | — | 2.784,00 | 2.320,00 | 2.480,00 | — |
Você colocou R$ 4.800,00 e recebeu R$ 2.784,00. Parece um negócio que vai bem, e vai, mas o número que importa é outro: dessa arrecadação, R$ 2.320,00 é o seu próprio capital voltando e R$ 464,00 é o que você ganhou. E continua tendo R$ 2.480,00 lá fora, mais do que já recuperou.
A segunda leitura está na última coluna. O cliente C tem R$ 1.440,00 na rua e nove parcelas vencidas: dos R$ 2.480,00 que estão lá fora, mais da metade estão com ele, e é o único com problema sério. Um total de atraso de «nove parcelas» numa carteira de quatro não diz nada. Saber que estão todas no cliente com mais capital lá fora diz tudo.
E a terceira: o cliente D tem R$ 80,00 na rua e duas parcelas de atraso. É um atraso irrelevante em dinheiro, mas é o melhor candidato a renovar quando terminar, porque pagou 22 de 24 parcelas sem cair. O controle de carteira não serve só para cobrar: serve para decidir a quem você empresta de novo.
A inadimplência se conta em parcelas, não em meses
A linguagem do banco não serve aqui. «Um mês de atraso» num crédito mensal é uma parcela perdida; na cobrança diária são vinte e quatro. Por isso a carteira diária se classifica por parcelas vencidas, e cada faixa pede uma ação diferente.
| Parcelas vencidas | O que significa | O que se faz |
|---|---|---|
| Em dia | Nenhuma parcela vencida | É a sua carteira saudável. É ela que decide se você pode emprestar amanhã. |
| 1 a 3 parcelas | Ele pegou um dia fraco | Mensagem ou ligação no mesmo dia, antes que a falta vire costume. |
| 4 a 7 parcelas | O hábito de pagamento já mudou | Visita fora da rota normal e acordo por escrito para ficar em dia. |
| 8 a 15 parcelas | De uma a três semanas sem pagar | Renegociar o carnê. Aqui congela: não se renova nem se empresta mais. |
| Mais de 15 parcelas | Carteira dura | Recuperação à parte, com acompanhamento próprio. Pare de contá-la como carteira ativa. |
Classificar assim tem efeito imediato: deixa de haver «clientes inadimplentes» em geral e passa a haver cinco grupos com tratamento próprio. A carteira de mais de quinze parcelas sai da contagem ativa, porque se você a deixa dentro ela infla o capital na rua com dinheiro que já não gira. Quando esse bloco cresce, o problema deixa de ser de cobrança e passa a ser de recuperação: explicamos em como gerenciar a carteira vencida por etapa de atraso.
O que não se vê no total da caderneta
O caixa do cobrador não é a carteira
O que o cobrador entrega à noite e o que ele registrou como recebido são dois números diferentes até você acertar os dois. A diferença pode ser uma despesa de rota, um pagamento anotado duas vezes ou uma falta. Se você olha só o caixa, a carteira fica errada desde o primeiro dia.
As renovações escondem a inadimplência
Quando você faz um empréstimo novo para um cliente atrasado para quitar o antigo, o atraso some do papel e o risco fica. Separe sempre quanto do que você colocou hoje foi dinheiro novo e quanto foi refinanciamento: sem essa separação, uma carteira doente se lê como carteira saudável.
O capital na rua não é o seu patrimônio
Se parte do que você empresta é dinheiro que emprestaram para você, esse passivo não aparece em lugar nenhum da carteira. Anote à parte e subtraia mentalmente sempre que vir o total colocado. O seu é a diferença.
Um cliente em dia também pode ser risco
Quem paga exatamente a parcela, nunca adianta nada e renova assim que termina mantém o seu capital lá fora de forma permanente. Não está inadimplente, mas também nunca devolve o dinheiro. Olhe por capital imobilizado, não só por dias de atraso.
Três fechamentos que organizam a semana
Fechamento do dia
Você acerta o recebido contra o entregue por cada cobrador e revisa as visitas que ficaram sem receber. Faz-se de uma passada só, e se não for hoje, amanhã ninguém lembra.
Fechamento semanal
Você revisa a inadimplência por idade e decide quem renova, quem congela e quem precisa de visita fora da rota. É a reunião que evita a surpresa de fim de mês.
Fechamento mensal
Você compara capital colocado contra capital recuperado e juros ganhos. Se colocar mais do que recupera mês após mês, o negócio cresce; se for o contrário, está encolhendo sem você notar.
Como se faz esse controle na CobrApp
Os quatro números não se calculam na mão: saem sozinhos dos movimentos que você já registra. Toda vez que você anota um pagamento, o app divide o valor entre capital e juros, atualiza o saldo do cliente e recalcula o capital na rua da carteira inteira. O fechamento do dia está pronto quando você fecha a rota, não duas horas depois.
O registro funciona sem internet, que é como se cobra de verdade na periferia e na zona rural, e sincroniza com backup na nuvem assim que o sinal volta. Você pode imprimir o recibo do pagamento numa impressora Bluetooth de 58 ou 80 mm na hora, e exportar a carteira para Excel ou CSV quando precisar revisar com calma ou passar para o contador.
Se você trabalha com colaboradores, cada cobrador vê só os clientes dele e você vê a carteira consolidada, que é a única forma de o fechamento do dia bater sem discussão. O percurso em si —regiões, ordem de visita, clientes por dia— se organiza à parte, nas rotas de cobrança.
O plano gratuito permite até 20 clientes e 2 empréstimos por cliente: dá para levar o controle completo de uma carteira pequena e ver se a forma de trabalhar serve para você. As condições dos planos pagos estão em planos e preços.
Vem de outra ferramenta? Compare o que se perde e o que se ganha ao sair da planilha de cobrança em Excel, veja a plataforma de cobrança completa, ou olhe o software para empréstimos se o que você precisa é montar o crédito e a tabela de parcelas. Para aprofundar na rotina de registro, o guia de como controlar os seus empréstimos e o de métricas de cobrança em tempo real desenvolvem passo a passo.
A CobrApp não concede crédito nem empresta dinheiro. É uma plataforma tecnológica de gestão de cobrança e controle de carteira para empréstimos concedidos por terceiros.
Perguntas frequentes sobre controle de empréstimos diários
O que mais pergunta quem começa a ler a carteira em vez da caderneta.
Como controlar a contabilidade de empréstimos diários com a CobrApp?
A CobrApp serve como sistema de cobrança diária e controle de carteira?
Como controlar os pagamentos dos clientes de graça com um app?
Qual é a diferença entre capital na rua e saldo a receber?
Como sei quanto ganhei de verdade neste mês se está tudo na rua?
De quanto em quanto tempo devo fechar a carteira?
Como conto a inadimplência se o cliente paga pela metade?
R$ 3.470,00 Bate
O que uma rota de 37 visitas com 4 cobradores recolhe em um dia, com a carteira batendo no fechamento.
Saiba quanto você tem na rua antes de emprestar de novo
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